O homem contemplou o crepúsculo. Olhava para o vasto e gelado mar, que, ao suave toque do sol poente, exibia seu reflexo avermelhado e vacilante. O vento brincava com seus longos cabelos, anunciando a chegada da noite fria. Sob a luz derradeira do dia, ele permanecia de pé, impassível como uma rocha, mirando o oeste. Mantinha os olhos fixos. Olhos profundos. Olhos de quem já vira muitas coisas. Olhos de quem acreditava poder ver muito mais.
Os minutos se passaram. A luz calorosa do sol se rendeu, e finalmente deu lugar ao gélido e soturno luar. A lua imperou, cheia, regendo solitária a noite, seu domínio. Sua luz pálida banhou a floresta, e caiu suavemente sobre o homem que observava o mar. Sua capa ondulava, movida pelo leve e frio sopro do vento. E o vento agitava seu cabelo. E agitava memórias. Pensamentos longos e longínquos, tanto felizes quanto sofridos. Pesares e lutas. Preocupações e desejos. Mas, acima de tudo, lembranças.
Então, por sobre seus ombros, o sol raiou.
domingo, 20 de junho de 2010
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Nova partida
O viking olhou para seu drakkar. Começou uma rápida inspeção, apenas de vista, mais para passar o tempo do que por qualquer outra coisa. Poucos segundos depois, sentiu alguém se aproximando. Olhou de canto de olho, e bufou para si mesmo. O homem chegou mais perto e se colocou ao seu lado.
- E então, o que acha? – perguntou ao jarl, cruzando os braços e fazendo um movimento de cabeça em direção ao navio ancorado.
O viking, não tirou os olhos da barca.
- Hum - respondeu num tom grave, sem deixar claro se estava satisfeito, zangado ou impaciente. - O que eu acho? Eu acho que demorou muito.
O homem ao seu lado se mexeu, desconfortável. Alternou o olhar entre o viking, o drakkar e o chão. E permaneceu com o olhar preso ao chão, decidindo que era o mais confiável de se olhar.
Alguns minutos se passaram, e o mar batendo na costa, o navio rangendo de leve e esporádicos grasnos de gaivota eram os únicos sons a impedir o silêncio. O viking, então, sem dizer nada, andou em direção a seu navio e entrou na água gelada. E foi subitamente seguido por alguns de seus amigos. Entraram no barco, e ao seu comando, ao comando do jarl, libertaram-no das areias da praia. Assim zarpou a barca, novamente. O vento alisou sua vela recém aberta, e água salgada respingou no convés, dando suas boas vindas ao drakkar outra vez.
E, da proa da barca, o viking sorriu.
- E então, o que acha? – perguntou ao jarl, cruzando os braços e fazendo um movimento de cabeça em direção ao navio ancorado.
O viking, não tirou os olhos da barca.
- Hum - respondeu num tom grave, sem deixar claro se estava satisfeito, zangado ou impaciente. - O que eu acho? Eu acho que demorou muito.
O homem ao seu lado se mexeu, desconfortável. Alternou o olhar entre o viking, o drakkar e o chão. E permaneceu com o olhar preso ao chão, decidindo que era o mais confiável de se olhar.
Alguns minutos se passaram, e o mar batendo na costa, o navio rangendo de leve e esporádicos grasnos de gaivota eram os únicos sons a impedir o silêncio. O viking, então, sem dizer nada, andou em direção a seu navio e entrou na água gelada. E foi subitamente seguido por alguns de seus amigos. Entraram no barco, e ao seu comando, ao comando do jarl, libertaram-no das areias da praia. Assim zarpou a barca, novamente. O vento alisou sua vela recém aberta, e água salgada respingou no convés, dando suas boas vindas ao drakkar outra vez.
E, da proa da barca, o viking sorriu.
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